
Estudo da B3 e do Instituto Locomotiva mostra avanço de mulheres e pessoas negras na alta gestão, enquanto presença de PCDs ainda é limitada
A diversidade ganhou espaço na liderança das companhias listadas na B3, a bolsa de valores brasileira, em 2026. Segundo o estudo Lideranças Plurais, realizado pela B3 em parceria com o Instituto Locomotiva, 83% das 290 empresas analisadas têm ao menos uma pessoa de grupo sub-representado na diretoria estatutária ou no conselho de administração. Em 2025, eram 77%.
O levantamento considera mulheres, pessoas negras, indígenas e pessoas com deficiência e utiliza informações públicas declaradas pelas próprias companhias. A presença desses grupos é maior nos conselhos de administração, onde chega a 73%, do que nas diretorias, com 59%.
Para o mercado publicitário, os dados reforçam uma questão que vai além da representatividade nas campanhas: à medida que diversidade e ESG ganham peso na construção de reputação, a composição das lideranças também passa a influenciar a percepção de coerência entre o discurso das marcas e suas práticas internas.
As mulheres continuam sendo o grupo com maior presença na alta gestão. Em 2026, 80% das companhias têm ao menos uma mulher na diretoria ou no conselho, ante 75% em 2025.
Nas diretorias, 51% das empresas contam com participação feminina, mas em 33% há apenas uma mulher. Nos conselhos, a presença chega a 70%, maior índice da série histórica iniciada em 2021.
Pessoas negras estão presentes nas diretorias estatutárias de 34% das companhias, enquanto pessoas brancas aparecem em 97%. Entre 2023 e 2026, a parcela de empresas com ao menos uma pessoa parda na diretoria passou de 11% para 23%. Já a presença de pessoas pretas chegou a apenas 2% em 2026. Nos conselhos, pretos e pardos também atingiram os maiores níveis desde o início da série, em 2023.
Pessoas com deficiência apresentam a menor participação entre os grupos analisados. Apenas 6% das empresas declararam ter ao menos uma PCD em seus órgãos de administração. Nas diretorias, o percentual passou de 3% para 4% entre 2025 e 2026. Nos conselhos, permaneceu em 3%.
O estudo também analisou a Medida ASG 1 da B3, que prevê, no modelo “pratique ou explique”, a presença de pelo menos uma mulher e uma pessoa de outro grupo sub-representado entre os membros titulares do conselho ou da diretoria. Entre as companhias do IBrX 100, 61% já atendem aos dois critérios. As demais apresentaram explicações para a não adesão integral.
Você também vai gostar
- 6 de agosto de 2026


